Serviço Social da Seap registra mais de 16 mil atendimentos no sistema prisional, no primeiro trimestre

Enviado por fernanda.ferreira em

 

 

Ações da Diretoria de Assistência Biopsicossocial garantiram emissão de documentos, assistência a familiares e projetos de cidadania no Pará

 

 

A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) registrou mais de 16.690 atendimentos de assistência social a pessoas privadas de liberdade e seus familiares no Pará, apenas no primeiro trimestre de 2026. Coordenadas pela Diretoria de Assistência Biopsicossocial (DAB) e pela Coordenadoria de Assistência Social (CAS), as ações integradas alcançaram unidades prisionais da Região Metropolitana de Belém e do interior do Estado, com foco na garantia de direitos básicos, regularização documental e fortalecimento de vínculos para a reintegração social.

 

Garantia de direitos e atuação do serviço social

 

 

Foto: Divulgação
Foto:Elielson Modesto / Seap 

 

 

No sistema prisional, o assistente social atua para garantir os direitos básicos dos custodiados e de seus familiares, promovendo a reintegração social, auxiliando na mediação de conflitos e facilitando o acesso a benefícios e serviços sociais.

 

A diretora de Assistência Biopsicossocial da Seap, Michelle Holanda, é assistente social e servidora da secretaria, com 23 anos de experiência nas áreas de políticas penais e saúde. Segundo ela, o Serviço Social da Seap desempenha um papel fundamental em diferentes instâncias da instituição, realizando atendimentos e acompanhamentos às Pessoas Privadas de Liberdade, seus familiares, egressos, monitorados, cumpridores de medidas, além de prestar assistência aos seus servidores.

 

Michelle também destaca a participação ativa da Secretaria em debates e na construção de políticas públicas voltadas para grupos vulneráveis. “Participamos ainda de discussões e construções de diversas políticas destacando-se na segurança pública, inclusão social, proteção à crianças e adolescentes e direitos da mulher e grupos vulneráveis. Dessa forma, observamos que ocupamos 100% do espaço institucional contribuindo na transformação social e garantia de direitos de todos”, declarou.

 

Projetos e ações de cidadania

 

Foto: Divulgação

 

 

Além da assistência de rotina nas unidades prisionais, a Seap também desenvolve projetos voltados à garantia de direitos e fortalecimento da cidadania. Entre as iniciativas, destaca-se o projeto “Registre-se”, com a emissão de mais de 970 documentos básicos na sua última edição, realizada em parceria com instituições como Tribunal de Justiça (TJ-PA), Polícia Civil, Associação dos Registradores das Pessoas Naturais do Estado do Pará (Arpen), Defensoria Pública e Tribunal Regional Eleitoral (TRE), com foco na emissão e regularização de documentos civis.

 

Outro trabalho desenvolvido é a metodologia de acompanhamento do pré-egresso, que consiste em ações realizadas nos meses que antecedem a saída do sistema prisional. A iniciativa envolve orientações sociais, regularização documental, fortalecimento de vínculos familiares e articulação com os escritórios sociais, responsáveis pelo acolhimento e acompanhamento das pessoas egressas nos territórios.

 

Entre os projetos desenvolvidos nas unidades, também se destaca o “Nunca é Tarde”, realizado na Unidade de Custódia e Reinserção Feminina de Santarém (UCRF Santarém). A iniciativa promove atividades relacionadas à maternidade, cidadania e direitos humanos para mulheres privadas de liberdade que possuem filhos de até doze anos de idade.

 

Campanhas socioeducativas e promoção da saúde

 

Foto: Divulgação

 

 

As equipes também realizam campanhas e ações socioeducativas alusivas a datas e meses temáticos, como Outubro Rosa, Novembro Azul, Agosto Lilás e campanhas de conscientização, contribuindo para a promoção da saúde e fortalecimento da cidadania no sistema prisional.

 

Para Ashanti Alves dos Reis, mulher transexual custodiada na Unidade de Custódia e Reinserção de Santa Izabel VI (UCR Santa Izabel VI), esse acompanhamento tem impacto direto em sua vida e no reconhecimento de seus direitos. “Já tirei minha documentação social através desse trabalho de assistência, o que é um passo muito importante para nós, que somos LGBTs. Esperamos que esse passo tenha continuidade lá fora, mas percebemos que a unidade está atendendo às nossas necessidades”, declarou a custodiada.

 

A atuação da Secretaria na área do Serviço Social reforça o compromisso institucional com a humanização do atendimento, a garantia de direitos e o fortalecimento de políticas públicas voltadas à reintegração social no sistema prisional paraense.

 

Atendimentos e suporte às famílias

 

Os atendimentos realizados aos custodiados são direcionados a todas as unidades da Região Metropolitana de Belém e do interior do Estado, alcançando os públicos masculino, feminino e LGBTQIAPN+, reforçando a atuação inclusiva e humanizada desenvolvida pela equipe multidisciplinar da Seap.

 

Nesse contexto, os custodiados e seus familiares recebem atendimento de assistentes sociais, que realizam a articulação com a rede socioassistencial para garantir o acesso à cidadania e promover a reintegração social. O trabalho também inclui a regularização e emissão de documentação civil, o fortalecimento de vínculos familiares, o acompanhamento de situações de vulnerabilidade social e a mediação de visitas presenciais e virtuais.

 

Atendimento humanizado e acolhimento social

 

 

Foto: Elielson Modesto / Seap
Foto: Divulgação

 

 

A assistente social da Seap, Soraia Marques, que atua no Serviço de Atendimento à Pessoa Custodiada no Fórum Criminal do Estado do Pará, destaca que o trabalho desenvolvido pelo Serviço Social é essencial para garantir acolhimento, acesso a direitos e encaminhamentos sociais desde a entrada da pessoa no sistema de justiça.

 

“Temos apresentado números bastante satisfatórios nesse atendimento pré-audiência de custódia no Fórum de Belém e também atuamos diretamente com as famílias das Pessoas Privadas de Liberdade, oferecendo orientação e acolhimento nesse momento”, destacou Soraia Marques.

 

Nas unidades prisionais, as equipes de Serviço Social atuam diariamente com atendimentos individuais e coletivos, escuta qualificada, orientação social, elaboração de estudos e pareceres técnicos, além de encaminhamentos à rede socioassistencial, à saúde e ao sistema de justiça.

 

Para Jéssica Morais, assistente social na Unidade de Custódia e Reinserção de Marituba III (UCR Marituba III), o Serviço Social possui grande relevância dentro das unidades prisionais, atuando na elaboração de estudos sociais, pareceres e relatórios, além da articulação com a rede de serviços e garantia de acesso a direitos.

 

“Muitas dessas pessoas chegam até nós após uma trajetória marcada pela violação de direitos, e nosso trabalho busca garantir esse acesso à documentação, programas sociais e fortalecimento dos vínculos familiares”, destacou a assistente.

 

 

Texto: Fernanda Ferreira / Estagiária NCS Seap, com Supervisão de Kaila Fonseca.