Em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), a capacitação contou com a participação de 17 custodiados, e certificação ao final.
A qualificação profissional tem se consolidado como uma importante ferramenta de reinserção social no sistema penitenciário paraense. Com esse objetivo, a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), por meio da Coordenadoria de Educação Prisional (CEP), promoveu o Curso de Produção Artesanal de Produtos de Higiene e Limpeza na Unidade Penitenciária de Segurança Máxima I (UPMAX I), em Santa Izabel do Pará, unindo aprendizado prático, desenvolvimento de habilidades e benefícios diretos para a rotina da unidade.
Durante o curso, os participantes receberam orientações teóricas e práticas sobre a fabricação artesanal de produtos de higiene e limpeza. Além do caráter educativo, a ação trouxe benefícios concretos para a própria unidade, os produtos confeccionados passaram a ser utilizados na limpeza dos blocos, na lavagem dos uniformes dos internos, na higienização de toalhas e na conservação dos ambientes administrativos.
Produção beneficia rotina da unidade
Os resultados alcançados refletem o engajamento dos participantes e das equipes envolvidas. No primeiro dia de atividades foram produzidos 220 litros de sabão líquido, 15 litros de desengordurante multiuso, 150 litros de desinfetante, 45 litros de água sanitária, 30 litros de amaciante, 160 litros de inseticida, 1,5 quilo de creme de enxofre para dermatite, além de 40 barras de sabão e 40 sabonetes. Já no segundo dia, foram produzidos mais 60 litros de desinfetante, 30 litros de amaciante, 20 quilos de sabonete de ervas com ação antibacteriana e 24 unidades de sabonete para dermatite.
Para a policial penal responsável pela reinserção social da UPMAX I, Sheyla do Carmo, a oferta de cursos profissionalizantes contribui diretamente para a construção de novas oportunidades dentro e fora do ambiente prisional.
"A implementação do curso de Produção artesanal de Produtos de higiene e limpeza, entre vários cursos ofertados pela SEAP, tem reforçado a missão da secretaria com atividades que promovam de forma efetiva a ressocialização dos internos nas casas penais do Pará, principalmente quando o conhecimento adquirido e o resultado produzido podem ser utilizados na própria unidade", declarou.
A formação possibilitou o desenvolvimento de competências relacionadas ao trabalho em equipe, organização, responsabilidade e produção de itens que podem ser utilizados tanto no ambiente institucional quanto em futuras oportunidades de geração de renda.
A iniciativa foi conduzida pela instrutora Aparecida Resende de Carvalho, do Senar, instituição responsável pelo fornecimento dos insumos utilizados durante as atividades e pela certificação dos participantes.
Para a instrutora, a capacitação foi planejada para unir qualificação profissional e melhoria das condições do ambiente coletivo.
"Essa produção artesanal de produtos de higiene e limpeza, ele tem como o foco a capacitação, a expansão do conhecimento, na produção de produtos para limpeza. Deixando um ambiente mais agradável, reduzindo o desconforto e também oferece uma formação para inserir eles no mercado de trabalho", detalhou.
Conhecimento abre novas perspectivas
Além dos resultados práticos observados na rotina da unidade, a capacitação também proporcionou aos participantes a oportunidade de adquirir conhecimentos que poderão ser utilizados futuramente como alternativa de geração de renda e fortalecimento da reinserção social.
Um dos participantes, João Leite dos Santos, destacou a relevância do curso para a construção de novas perspectivas profissionais.
"Com certeza esse curso ajuda na reinserção social e na vida profissional. Às vezes a gente não tem um objetivo definido, mas com o conhecimento adquirido aqui podemos colocar em prática o que aprendemos. Isso já é uma forma de ressocialização, porque com pouco investimento é possível construir um futuro e obter uma renda melhor. Profissionalmente, isso é muito importante."
A percepção sobre o potencial transformador da iniciativa também foi compartilhada por André Thiago Alves Paixão, de 35 anos, que ressaltou como o acesso ao conhecimento pode ampliar oportunidades e incentivar novos projetos de vida.
"A experiência com o curso disponibilizado pela Seap foi gigantesca, porque percebi que, ao sair daqui, posso ter novos horizontes, começar uma nova vida, adquirir um conhecimento técnico e avançar não apenas pessoalmente, mas também financeiramente. Foi uma porta que se abriu", concluiu.
Texto: Fernanda Ferreira | Estagiaria NCS Seap, com supervisão de Caroline Rocha | ASCOM
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