Capacitação forma servidores aptos a realizar o controle, manuseio, manutenção e gerenciamento dos armamentos utilizados nas unidades penais do Pará
A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária concluiu a formação de mais uma turma do curso de Gerenciamento de Armaria e Manutenção de Armamento (GAMA). Voltado para qualificar os servidores da secretaria no gerenciamento e manutenção dos armamentos utilizados no dia a dia das unidades penais, o curso técnico garante mais segurança operacional, eficiência e uma vida útil prolongada para os equipamentos, resultando em economia direta dos recursos do Estado.
A 8ª turma do GAMA formou mais 30 policiais penais, que agora somam mais de 250 profissionais aptos para o gerenciamento de armaria e manutenção de armamento. Durante 40 horas, os participantes passaram por treinamento técnico necessário sobre manuseio, normas de segurança e práticas operacionais de armamentos. Objetivo é assegurar que os policiais atuem com eficiência, eficácia e responsabilidade na execução de suas atividades.
Desenvolvido para garantir a efetividade e padronização no controle de materiais bélicos e dos Instrumentos de Menor Potencial Ofensivo (IMPOs) da Seap, o curso busca não apenas a longevidade dos equipamentos, mas também a segurança operacional, a eficiência no uso dos recursos disponíveis e no gerenciamento da armaria: pistolas, carabinas, espingardas, fuzis, lançadores e lubrificantes.
Paralelamente, existem os objetivos específicos: desenvolver habilidades para o controle e inventário de materiais bélicos e IMPOs, incluindo a aplicação de procedimentos padrão para registro, acompanhamento e controle de estoque nas armarias das unidades prisionais; treinar os servidores na execução de manutenção preventiva e corretiva de armamentos, abrangendo técnicas de desmontagem, limpeza, reparo e montagem, além de promover a compreensão das melhores práticas para prolongar a durabilidade dos equipamentos.
O policial penal A.Lopes, integrante do Grupo de Operações Penitenciárias (GAP), uma das forças especializadas da Seap, é um dos instrutores do GAMA, e explicou que o conteúdo programático está sendo desenvolvido há praticamente dois anos, antes de ser colocado em prática. Lopes revela que foi verificada a necessidade de cada unidade penal onde não havia profissionais capacitados para dar manutenção em armamento.
“Elaboramos (o curso) dessa forma, de acordo com a necessidade que a Seap precisava, para ter esses profissionais em cada unidade e poder dar manutenção de primeiro e segundo escalão dos armamentos. Com isso, aumentando a durabilidade desses equipamentos”, afirmou o instrutor.
A.Lopes explica que o trabalho desempenhado pelo armeiro exige uma série de critérios de segurança muito importantes, pois é considerado pelo instrutor como um verdadeiro “salva-vidas”, uma vez que sua atividade é deixar os armamentos prontos para o uso imediato. É uma manutenção preventiva.
“Ele está deixando a arma pronta e em condições de uso para cada servidor da unidade. Então, acredito que o armeiro, que é quem faz o curso GAMA, é essencial para a segurança, tanto da unidade quanto da vida de cada operador da casa penal onde atua”, defende o instrutor.
A.Lopes esclarece que, para se tornar um armeiro, o policial penal precisa ter um conhecimento básico na área e gostar da atividade. “Não é só chegar e fazer o curso por fazer. Ele tem de fazer o curso e gostar do que faz”, diz o instrutor. “A partir do momento que ele está fazendo o que ele gosta, vai fazer da melhor maneira possível. Ele vai cuidar dos armamentos. Então, já pensou o operador precisar usar o armamento para defender a sua vida, e o armamento não estiver em plenas condições? Então, a ideia é essa, fazer com que ele dê a manutenção preventiva dos armamentos para que ela sempre esteja pronta para o uso”, afirma A.Lopes.
Conservação – O trabalho desenvolvido pelos armeiros contribui principalmente para aumentar a durabilidade dos armamentos, o que resulta em economia de recurso para a Secretaria e para o próprio Estado. “Vai aumentar a durabilidade desses armamentos, tendo em vista que algumas armas que foram compradas apenas 5 anos, algumas já viraram até sucatas. Por quê? Porque não tinham pessoas capacitadas para dar esse tipo de manutenção nos armamentos. E agora temos os profissionais para garantir esse trabalho”, conclui André Lopes.
O policial penal Carlos Alberto de Oliveira se inscreveu no curso GAMA porque percebeu a necessidade de ter um armeiro na unidade em que trabalha. Ele é consciente de que precisa fazer a manutenção dos armamentos nas unidades, para que a questão segurança seja fundamental.
Quanto ao curso, Carlos relata que adquiriu conhecimentos e técnicas valiosas para desenvolver sua atividade. “Foi interessante porque a gente conseguiu visualizar vários armamentos, armamentos que a gente usa no dia a dia nas casas penais, e aprender o manejo, montar, desmontar, fazer manutenção e deixar ela sempre pronta para o pronto emprego”, contou.
O policial defende que a nova formação confere ainda mais confiança para utilizar o armamento, pois eles passam a ter o conhecimento de como funciona o mecanismo de uma arma. “A gente não só aprende a desmontar, montar e fazer manutenção. A gente aprende também aqui como ela funciona, como é que o mecanismo funciona. Então, isso nos dá mais segurança, mais confiança para que a gente possa trabalhar dentro do cárcere”, afirma o policial penal.
Como exemplo da importância do curso, Carlos lembra que já se deparou com uma situação em que a arma que portava não estava funcionando devidamente. Durante um procedimento de rotina, a escopeta Calibre 12 que ele portava não estava “ciclando”, e foi preciso a ajuda de outro profissional para resolver o problema.
“Naquele tempo, não tinha conhecimento. Eu não tive como sanar a pane e tive que levar para uma pessoa qualificada, para um armeiro que tinha um pouco mais de experiência sanar a pane, que, hoje, já com tudo que foi visto aqui no Gama, eu conseguiria sanar e colocar o armamento de novo em funcionamento”, explicou o policial.
Wemerson Feitosa Conceição é outro policial penal que considera o curso “de suma relevância para sua atividade profissional. O conhecimento que eu aprendi até agora, na verdade, foi a desmontagem e a montagem com excelência, porque, às vezes, a pessoa tem esse conhecimento, tenta desmontar um armamento e não consegue montá-lo. O que pode botar em risco a vida do operador”, lembrou.
Executar a manutenção de forma correta vai ajudar o trabalho do operador em caso de situação de alta relevância e de risco da própria vida do operador. “Então, esse curso faz toda essa essência desse conhecimento para que os outros trabalhadores podem enfrentar”, finalizou.
Texto: Márcio Sousa / NCS Seap Pará