
"Minha família depositou toda a confiança em mim. Eu estava ansioso para participar do projeto e vou agarrá-lo com todas as minhas forças para conquistar a mudança da minha vida", declarou o interno Jussivan da Silva, custodiado há quatro anos e quatro meses no Centro de Recuperação Regional de Bragança (CRRB), ele é um dos 30 detentos que começou a trabalhar na Citropar, empresa de plantio de laranja e venda do suco da fruta, em Capitão Poço, no nordeste paraense. Os internos foram recebidos na manhã desta segunda-feira (30) para o primeiro dia de trabalho.
O convênio da Susipe com a Citropar conta com o apoio do Tribunal de Justiça do Estado do Pará. Por meio da juíza Daniele Modesto e uma triagem realizada pela equipe multidisciplinar biopsicossocial da Susipe, os internos para participar do projeto são escolhidos e recebem a autorização da justiça. Todos são do regime semiaberto do CRRB. De acordo com Dario Emílio Ramos, diretor do CRRB, este convênio só tem a crescer cada vez mais. "O nosso pensamento é a educação e o trabalho. Os presos do semiaberto precisam estar trabalhando ou estudando. Hoje a Citropar está abrindo as portas para mostrar que não temos só quantidade para o mercado de trabalho, mas também muita qualidade", afirmou.
Odacyr Hernani, técnico agrícola e responsável pelo setor produtivo da Citropar, afirma que é uma alegria muito grande receber os internos para trabalhar na empresa que compartilha o seguinte entendimento: contribuição para mudar a vida das pessoas. Ele afirma que isso se dá por meio do trabalho. "Os projetos e convênios da Susipe são uma oportunidade para mudar a vida das pessoas e ajudar no desenvolvimento do estado do Pará. A cadeia produtiva dos citrus passa por um processo de produção de muda, estufa, plantio, controle de pragas entre outras etapas. Tudo isso será ensinado para os internos, que a partir de então serão chamados de profissionais. Há outros setores da empresa e, na medida que formos avaliando e percebendo as compatibilidades, vamos atuar para que eles trabalhem com o que mais tem capacidade e gosto. Daremos a oportunidade de crescimento profissional", afirmou.
A coordenadora de Trabalho e Produção, da Diretoria de Reinserção Social da Susipe, Ruth Benassuly, afirmou que é muito importante a reativação do convênio firmado com a Empresa Citropar para a reinserção social dos internos. "Os detentos que apresentarem bom rendimento no trabalho realizado poderão ser contratados pela empresa ao final do cumprimento da pena. No primeiro dia de trabalho os internos participantes do convênio demonstraram estar felizes com a oportunidade apresentada, se comprometendo em fazer o melhor para serem merecedores de confiança dando credibilidade a parceria para o acolhimento de outros internos", afirma.
Wilson Gomes dos Santos, custodiado há três anos e 11 meses no CRRB participa pela primeira vez do projeto. Ele afirma que felicidade e ansiedade são os sentimentos que resumem esse momento. "Antes de eu vim para o projeto já escutava comentários sobre a Citropar. Falavam muito bem. O projeto nos ajuda a mostrar para a sociedade que há presos diferentes. Aqueles que não aproveitarem podem ser retirados, mas essa equipe que está vindo agora vai se dedicar. Com o valor que eu juntar durante esse trabalho pretendo fazer cursos, me capacitar profissionalmente, para que eu possa ter uma boa profissão quando for egresso e levar ainda mais felicidade para minha família", desejou.
De acordo com o Secretário Extraordinário para Assuntos Penitenciários, Jarbas Vasconcelos, a reativação do convênio também é fruto da visita técnica ocorrida na última semana no Complexo Penitenciário de Santa Izabel, quando foi apresentado o projeto "Unidades Prisionais Produtivas". Na ocasião, que contou com a presença do governador do estado Helder Barbalho, os empresários perceberam a importância de investir na mão de obra carcerária. "Conforme tratativas em andamento, o convênio será aditivado e a empresa receberá mais 30 internos, totalizando 60. É um convênio de grande importância, tanto pelo volume de internos, quanto pela responsabilidade, reconhecimento e qualidade da empresa parceira. Além disso, é válido destacar que quatro egressos do sistema são funcionários da Citropar atualmente", afirma.
Gabriel Brito é um desses. Ele começou a trabalhar no projeto quando era interno do CRRB. Hoje é efetivado na Citropar e já trabalha há dois anos e cinco meses com carteira assinada. "O projeto foi melhorando a minha vida e de vários colegas. Participar desse convênio mudou muito minha realidade dentro do cárcere. As ações que envolvem educação e trabalho podem mudar a vida das pessoas, basta elas quererem e se dedicarem para isso. Sempre existe uma nova oportunidade e a melhor escolha é o trabalho", afirma o funcionário de serviços gerais.
Por: Vanessa Van Rooijen.